Excerto

O que é a Paz?

 

Excerto do novo livro de Dieter Duhm, "Terra Nova - Revolução Global e a Cura do Amor."

 

A guerra é uma patologia profunda do Homo sapiens - uma verdadeira doença do espírito. Quando armas para matar pessoas são produzidas institucionalmente, podemos notar o quanto a sociedade sofre de uma inconcebível doença de consciência. Ela perdeu a competência moral. Quando se diz, então, que as coisas sempre foram assim, podemos responder: “por acaso é errado corrigir um erro apenas porque ele sempre foi cometido?” A guerra definitivamente não pertence à imagem de um mundo futuro. Mas ainda vivemos hoje num campo morfogenético de guerra. O poder que existe nas armas é enorme; muitos jovens estão ainda fascinados por ele. A sociedade de paz precisa produzir uma alternativa poderosa para se contrapor à insanidade do armamento. Que alternativa é essa? É um novo movimento para difundir um poderoso campo morfogenético de defesa incondicional de toda a vida na Terra. Uma ONU pela vida - só que com meios mais eficazes.

A paz é a força de uma vida livre do medo, conectada à solidariedade humana. A paz é mais que o oposto da guerra; paz é uma qualidade da vida que, ao longo dos últimos milénios, não se pôde manifestar de maneira duradoura, porque estavam ausentes as condições internas para tal. Muitos lutaram pela paz e, ao mesmo tempo, carregavam a discórdia nos seus corações, discórdia que fora gravada nas suas almas ao longo das suas ásperas vidas. Como Sabine Lichtenfels escreveu,

“Ao longo de milénios, os humanos têm rezado pela paz e lutado pela paz mas, nas suas consciências interiores, eles já não se lembram do que a paz é. Eles já não conhecem as suas leis internas. Falta-lhes uma visão de paz profunda e abrangente. Visão é uma realidade objetiva que, introspectivamente, pode ser vista e sentida. É inerente como uma possibilidade em evolução, e é algo que está à espera de ser visto e acedido novamente pelos seres humanos.” (Lichtenfels, “Sources of Love and Peace” [Fontes de Amor e Paz], 86).

A visão de paz precisa, então, ser recuperada a partir do “banco de dados cósmico”. Ela já existe no Universo. É nossa honrosa tarefa cooperar com o Universo e manifestar essa visão. Ela encontra-se, enquanto entelechy, no plano da criação e na infomação genética das nossas células. Se uma visão é certa ou errada, podemos senti-lo fisicamente. Se agimos no sentido da verdadeira paz, uma força curativa emerge instantaneamente no nosso organismo. Peace Pilgrim, uma peregrina com um inabalável comprometimento com a paz, disse: “Há um critério através do qual podes julgar se os pensamentos que tens pensado ou as coisas que tens feito são corretas para ti. Esse critério é: elas trouxeram-te paz interior? Se não o fizeram, existe algo de errado com elas - então continua a tentar.” (Peace Pilgrim, “Steps Toward Inner Peace” [Passos em Direção à Paz Interior], 34).

Esta frase pode ser lida tão facilmente, que quase não a levamos muito a sério. Ela provavelmente contém a resposta mais profunda à questão de como podemos gerar paz: agindo de forma que a paz emerja dentro de nós! Mas se tentarmos seguir este conselho por apenas um dia, perceberemos que estamos constantemente a cometer erros. Esta é uma descoberta existencial que pode transformar a nossa vida. Nós mesmos produzimos inquietação através dos pensamentos que pensamos, das palavras irrefletidas que dizemos, das reações desenfreadas que praticamos diante de acontecimentos desagradáveis. No entanto, nós normalmente não estamos suficientemente despertos para reconhecer essas inquietações. Não vivemos num estado de observação de nós mesmos, mas é nesse estado de testemunha-de-si que precisamos entrar para entender a dimensão das palavras de Peace Pilgrim. O que é paz? Paz é a vida dos humanos que entraram, entre si, nesse estado de observação. Através disso, eles não nutrirão mais ódio por ninguém. Paz é a aceitação incondicional mútua entre seres humanos que confiam uns nos outros, porque eles estão conscientes uns dos outros. 

Neste contexto, ganhamos um novo olhar sobre a afirmação segundo a qual nós só podemos gerar tanta paz no exterior quanto já tenhamos alcançado no interior. É claro que no mundo exterior há fatores políticos e económicos que estão além do nosso alcance, e que continuarão a gerar inquietação coletiva. A paz global não pode ser estabelecida enquanto persistirem as condições políticas e económicas que constantemente produzem a guerra. Isto, claro, é verdade. Contudo, para conseguirmos realmente contrariar as turbulências no exterior, nós definitivamente precisamos, no interior, da força da paz para a qual apontava Peace Pilgrim. Apenas equipados com esse poder conseguiremos, passo a passo, penetrar nas estruturas externas e transformar o sistema inteiro. A via é de dentro para fora. 

Saber se estamos ou não prontos para ligar o nosso interruptor interno para a paz tem um significado crucial, terapêutica e socialmente. O poder da nossa visão depende da extensão em que a paz já se manifestou dentro de nós. Podemos acreditar na paz exterior apenas se já tivermos estabelecido um firme poder de paz interior. É preciso ser muito forte para agir de forma a gerar paz interior em situações de conflito. Isto requer o domínio total dos nossos afetos. Para conseguir preencher o critério de Peace Pilgrim, precisamos mudar o nosso “ponto de aglutinação”. Trata-se da mudança de uma postura centrada no ego para outra, a serviço de um propósito maior. Se eu trabalho apenas para mim, eu permito-me a mim mesmo pequenas imprecisões internas. Se eu trabalho por um propósito maior, o profissional desenvolve-se dentro de mim; eu torno-me focado e preciso, porque o propósito o requer. Essa mudança no sistema psicológico protege-nos dos ataques do nosso próprio corpo emocional. Além disso, é recomendável evitar erros evitáveis e seguir a orientação da verdade, pois a inquietação interna está frequentemente conectada à falta de verdade e ao medo de ser visto. Só uma disposição psicológica livre de consciência pesada permite que nos libertemos do medo latente de sermos descobertos e julgados. Quem tem a consciência livre de culpa não teme julgamentos externos. Muitas vezes, correlações bastante simples em pequena escala, determinam a situação em larga escala. 

Paz duradoura só pode emergir numa comunidade de pessoas que superaram o velho conceito de ataque-e-defesa, porque elas não estão mais ancoradas no seu próprio ego, mas num nível de ordem superior. Esta mudança é o núcleo da transformação atual. Quando um grupo consegue construir, unido e coerente, um campo morfogenético de paz, um forte poder psicológico pode ser visto nesse grupo, porque a paz verdadeira está conectada com a força da Matriz Sagrada. A partir de tal conexão podemos enviar poderes curativos a projetos ameaçados nas áreas de crise do nosso planeta. Quando projetos de paz estão conectados à matriz sagrada, os seus pacifistas estão sob grande proteção, porque eles não podem mais ser psicologicamente magoados.

 

Recentemente, passámos pela experiência de uma nova situação de guerra em Israel-Palestina. O que aconteceu ali foi a mais recente emergência do velho campo morfogenético da guerra. Foi o espírito de vingança que incontestavelmente dominou o campo. Foi o arquétipo do Demónio que alimentou, em ambos os lados (tanto no Knesset israelita como no Hamas), as mesmas estruturas psicológicas de ódio e extermínio. Em algumas ocasiões, essas estruturas vão fundo até o (secretamente desejado) genocídio. Israel está em vantagem porque possui superioridade militar absoluta. Bombardear Gaza foi um ato de crueldade humana que apenas poderia causar lágrimas de dor e desespero em todos os corações abertos. A mesma situação de violência fora do controlo é o que vemos na Síria e no movimento ISIS no Iraque. Eles fazem de tudo para chicotear o corpo emocional: são extremistas que levam às últimas consequências o seu desejo de perversidade, destruição e vingança. 

O que podemos fazer? O que podem fazer os novos grupos pela paz? É difícil dar uma resposta sensata. Como primeira reação em nome da paz, alguns clamam uns aos outros a não participar, não se alistar no serviço militar, não seguir os slogans dos partidos, mas usar os seus sistemas de comunicação para despertar o máximo possível de pessoas da hipnose da guerra. Este primeiro passo requer coragem e determinação. Ele pode ser dado mais facilmente quando o próximo passo já pode ser vislumbrado: construir novos centros em nome de Terra Nova. Os grupos que já se reúnem no Médio Oriente devem saber que eles não estão sozinhos quando se decidiram radicalmente pela paz. Eles pertencem a uma comunidade planetária em desenvolvimento. Eles devem entrar em contato com Tamera e com os outros grupos da Escola Terra Nova. Particularmente para grupos no Médio Oriente, há uma nota de Sabine Lichtenfels: 

“Não se esqueça que os espíritos da natureza já esperaram durante muito tempo para serem percebidos. Existem forças de apoio que ainda quase não são usadas. Ajude a construir o sindicato da paz global com todas as criaturas, as visíveis e as invisíveis. O campo morfogenético da paz não engloba apenas uma parte das populações que habitam a Terra, mas todas elas.”